quando eu adotei o pipo, eu estava numa situação bem complicada. muito triste, muitas coisas acontecendo aqui em casa e com meu relacionamento da época. vi um gato num site de adoção e mandei um email, mas ele já tinha sido adotado. a dona do abrigo me convidou pra uma visita, pra que eu conhecesse os outros gatinhos.
eu fui. fazia muito frio, era uma noite de quinta feira. quando vi o pipo, ele estava encolhidinho numa gaiolinha, tão epqueno e indefeso. pedi que ela abrisse a portinha e ele correu a se esconder atrás dela. tinha passado por uns maus bocados e estava traumatizado. eu não tive dúvida de que ele era meu gato.
uma semana depois, ele estava aqui em casa, passou três dias escondido debaixo da cama e foi se acostumando aos poucos. hoje, ele é o rei da casa. e o meu reizinho, também. quando eu choro, ele lambe minhas lágrimas. se sabe que eu estou triste, vem dormir de conchinha comigo. derruba tudo, faz uam bagunça, mas nunca ficou bravo com nada. come o cabelo de quem mal conhece.
não sei o que teria feito sem o pipo naquela época, é tão bom cuidar de alguém. e aquele serzinho indefeso, que virou um gatão gordinho e falante, me salvou de muitas coisas e muitas dores. em dias que eu não quero abrir a boca só ele ouve minha voz.
ainda há muitos serzinhos precisando de ajuda. eu adotei o pipo no adote um gatinho e aconselho muito ter uma companhia felina. eles já vem vacinados e castrados. essa história de que gato é egoísta é o maior caô. eles são os seres mais amorosos que uma pessoa pode ter por perto.
um vídeozinho que eu fiz pra testar a câmera da minha mãe mas acabei colocando no youtube:
hoje postei no illustration friday, o tema era “multiple”. eu sabia que dentro de mim tinha algo que eu podia desenhar sobre isso até descobrir que a resposta era eu mesma.
não é legal mudar de idéia mil vezes no mesmo segundo, estar sempre indecisa, uma hora ser zen e na outra querer matar o primeiro que aparecer. eu sou assim e as poucas pessoas que eu chamo de amigos tiveram que aprender a conviver com isso. era pior na adolescência, muito pior. quando eu tinha 15 anos meus namoradinhos sofriam demais. eu cresci e isso foi diminuindo – ou eu fui aprendendo a controlar – mas continua sendo uma loucura. é uma luta constante entre as várias danis que moram dentro da minha cabeça.
isso me fez lembrar de um texto da escritora Terri Cheney sobre ser bipolar (o que é muito além do que eu tenho) tentando ter uam vida amorosa. Angustiante mas ainda assim esclarecedor. Vale a pena dar uma lida aqui.
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queria começar a falar sobre as pessoas que nós não podemos confiar, sobre as amizades que começam a desaparecer com o tempo, com a falta de companhia na hora de ir na secretaria, sobre as pessoas que não me conhecem.
mas a verdade é que não quero falar sobre mim ou o fato de me sentir sozinha quando tenho tanto pra compartilhar e tanta vontade de ouvir.
existem pessoas que eu amo muito mas não convivo fisicamente. elas estão lá, do outro lado dessa telinha. crescer implica em às vezes não ter tempo nem pra si. crescer é difícil e na maior parte das vezes, chato. quando eu menos perceber, vou me acostumar com a idéia de que nós nascemos pra ser sozinhos, e essa síndrome de peter pan vai passar.
não estou lamentando, nem nada. apenas me conformando aos poucos. eu sempre soube que isso chegaria uma hora ou outra. precisava escrever em algum lugar. botar pra fora.
Quando eu estava no terceiro colegial, prestei uns mil vestibulares diferentes. Letras, Radio e TV, Cinema, Jornalismo, Artes Plásticas…e psicologia. Ok, nada a ver, mas eu prestei. Passei na maioria mas não sabia o que queria, nenhum deles parecia uma profissão pra vida inteira. Eu fiquei minha adolescencia inteira querendo ser atriz, era um grande sonho, mas quando mudei pra são paulo esse sonho esvaeceu. Os palcos já não me cabiam mais. Não eram aquela luva perfeita. Os abandonei depois de anos de teatro amador. Deixei pra trás os figurinos e as maquiagens pra me tornar uma Dani de verdade, que não era aquela que fugia dos problemas se auto-flagelando, machucando os braços, me metendo em relacionamentos destrutivos.
Quis crescer.
Mas ainda assim não sabia o que prestar no vestibular.
Um grande amigo da época ia prestar design gráfico na belas artes. Eu perguntei o que fazia um designer e ele disse que fazia revista, flyer, cartaz, site, embalagem, um monte de coisas. Eu gostei da idéia e fiquei fermentando-a na minha cabecinha oca por alguns dias. Mas deixei de lado quando meu pai veio a ser internado no hospital com um sério problema de tireóide.
Numa tarde chuvosa, enquanto eu me arrumava pra ir ver meu pai no hospital (que é do outro lado da rua), outro amigo me pediu companhia pra fazer um vestibular na Belas Artes. Pedi 50 reais pra minha mãe e fui com ele, sem saber o que estava fazendo, apenas pra ajudar um amigo que estava com medo de fazer uma prova. Na hora de escolher o curso, me lembrei do Denis. Design Gráfico. Tá aí, parece legal.
Eu fiz a prova numa boa e cheguei em casa pra procurar na internet o que um designer fazia. Fiquei feliz por ter escolhido o curso certo! Quando eu era menor, cortava pedaços de matérias de revista e fotos que mais gostava e montava minhas próprias revistas. Era aquilo que eu queria fazer, revistas! Passei no vestibular e me enfiei na cola, tinta, réguas, e tudo mais. Só que depois de um ano de belas artes decidi que queria algo mais específico e mudei pro Senac, onde arrumei grandes amigos e aprendi muito mais.
Desde que entrei no Senac eu mando meu curriculum pra Editora Abril. Eu passava lá na frente e sonhava. Um dia me chamaram pra fazer as provas do processo seletivo e eu morrendo de nervosismo, fui com dois amigos que também tinham passado. Eu não passei. Chorei. Quis desistir.
Mas no ano seguinte, me inscrevi de novo. E de novo, e de novo. Todas as vagas que eles colocavam no site “Estágio – Editorial – Arte” eu me inscrevia. Comecei a me inscrever para as de fotografia também. Eu queria aquilo muito e a cada email dizendo “não” eu me desapontava mais, chorava, ficava com raiva. Mas nunca pensei em desistir.
No final do ano passado, me chamaram para a dinâmica de grupo. Depois para entrevistas. Primeiro com o RH! No mesmo dia, a menina me encaminhou pra Capricho. Fui elogiada e fiquei muito feliz. Na semana seguinte, soube que não tinha rolado, mas ficou entre eu e outra menina – eles gostaram de mim. Me encaminharam pra outra revista. Depois pra outra.
A Cosmopolitan NOVA.
E agora, depois de três anos tentando, me chamaram. O telefone tocou com a notícia de que eu sou a mais nova estagiária da revista NOVA! Começo dentro de alguns dias, preciso pegar uns documentos.
Obrigada, Denis, porque se não fosse você, eu não teria realizado esse sonho. Se não fosse por você, eu nem saberia que o tinha!
Hoje eu estou feliz.
E hoje eu tenho certeza de que só basta querer.








